quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Hoje

Hoje, na minha ignorância de mmá, descobri porque têm as mulheres portuguesas menos acesso a cargos de responsabilidade na administração das empresas.
Quando na maioria das casas portuguesas a televisão já está ligada para ouvir o telejornal das oito as luzes dos gabinetes dos administradores ainda estão ligadas. Os infantários que eu sabia fecham pouco depois das 18 horas...
Mesmo quem pode pagar a uma pessoa a quem "vender" os filhos o dia inteiro não pode brincar com uma criança que já dorme tranquilamente na cama de grades.
Foi o que me aconteceu hoje. E desceu-me uma nuvem sobre o peito. Cheguei a casa a minha filha respirava tranquilamente sobre os lençóis. Felizmente ainda são mais os dias em que consigo ir buscá-la à creche. Ao contrário daqueles dias interminavéis. Em que a entrevista se prolonga, a assembleia se atrasa, a reunião se multiplica...
Não trocava o meu tempo e o dela por dinheiro nenhum do mundo ou qualquer lugar na administração de uma empresa.

Palavra de mmá!

22 comentários:

Anónimo disse...

E tu (desculpa a familiaridade) tiveste quem tratasse de tudo. Alguém a foi buscar à escola, alguém a levou para casa, assegurou que as rotinas eram cumpridas, o estômago devidamente aconchegado, os dentes lavados, e a cama, a horas (ok, talvez não tivesse sido MESMO a horas, mas perto disso).

Agora, imagina quem não tens isso. Imagina que não tens um marido, um namorado, uma mãe, alguém a quem possas ligar, a dizer....epá, trata-me do puto hoje, que tenho uma reunião de projecto marcada para as 19h00.

Vives os teus dias úteis sabendo que não podes falhar, porque não tens rede.

Eu também não quero trocar o meu tempo e o tempo dele (no meu caso é um ele) por nada deste mundo, mas ainda bem que não quero, porque se quisesse, estava lixada :)

WakedWoman disse...

Esse "alguém" que a foi buscar à escola cobrou psicologicamente caro e bem caro.

Como se eu tivesse ido a uma sessão de cinema ao King em vez de ter ficado numa reunião.

Para todos os efeitos vivo exactamente como se não tivesse rede.

Mar disse...

Com rede ou sem rede, é quase impossível num país como o nosso. Em que se marcam reuniões para as 18h00 como se isso fosse normal. Em que a afirmação "tenho que ir buscar o meu filho" é encarada como desculpa esfarrapada de quem não quer trabalhar. Como se as crianças não devessem ser, também para a sociedade, uma prioridade.

vaginawoolf disse...

rede...rede...
não queria dizer, era um segredo meu, mas vou confessar. Eu e a raposa estivemos quase quase para passar o fim-de-ano em casa as duas, a brindar com os copinhos da cozinha que ganhou em segunda mão de uma amiguinha muito especial. Mas não. Estivemos a comer, dançar e curtir em casa de uma mmá. Isto é rede. Se as mmás não existissem esta festa não teria nunca acontecido e foi mesmo uma delícia. Em breve espero poder ir buscar os vossos meninos à creche, quando precisarem de uma mão.
Também estou sozinha, mas com alguma rede a criar-se!!!

Obrigada mmá pela festa e obrigada a outra mmá que me fez também o mesmo convite. Em breve espero conseguir estar em dois sítios ao mesmo tempo.

péssima disse...

ehehehehehe
Sim, foi divertido lembrar os 657 mamãs que os dois anos requerem.
Estas coisas são bem mais divertidas de ver quando não nos dizem respeito.
Eu entrei em negociação com o meu pirralho mais pequeno. Avisei-o que, se continuasse com aquele ritmo de mãns, esgotaria a palavra e depois eu não o poderia ouvir. Hoje ele alterna entre mamã, mã, mami, me, nome próprio, diminutivo, mãe, etc. O número na realidade não diminuiu, mas sabe sempre bem as variantes.

Vivam as redes, vivam os crivos, vivam as pessoas que não têm medo de dar, vivam principalmente as pessoas que não têm medo de pedir.

péssima disse...

E quanto a redes... sempre tive mais que uma, na realidade.
Neste assunto sinto-me quase culpada.
Programei o nascimento do meu primeiro filho para uma sexta-feira, assim trabalhei até às duas da manhã da noite anterior, apesar dele só ter nascido às 1:05 do domingo, três semanas depois andava eu com ele para trás e para a frente, dei-lhe de mamar até aos nove meses de idade e apenas foi para o infantário com dois anos. As reuniões até então nunca foram a dois, quer gostassem ou não, fosse onde fosse, a que horas fosse, lá estava eu e o meu bicho-das-castanhas. Sorte tenho, ainda hoje é uma criança fantástica no que toca a estar. O segundo filho também foi programado para nascer a uma sexta-feira, mesmo local, mesma hora, com a diferença de ter nascido no próprio dia com uns respeitáveis 4,90Kg. Devido a uma cesariana que me dificultou a recuperação, decidi mudar o trabalho para casa. Assim tudo continuou com reuniões a mais de dois. Aos cinco meses foi para o infantário. Como diz a vw “há coisas que um gajo não aguenta” e eu precisava de espaço meu e este meu pirralho é tudo menos calmo e paciente quando tem de me dividir.
Sou uma mma de sorte. Tenho um sogro que passou horas com os netos ao colo enquanto eu ia beber café, nunca reclamou, nunca mostrou o mais sinal de desespero, nunca lhe faltou aquele olhar embevecido. Tenho um cunhado para o qual não encontro palavras de agradecimento. Ainda ontem foi ele que ficou a jogar playstation enquanto nós fomos ao concerto. Não tenho, repito, palavras que cheguem para lhe agradecer o que me tem sido.
Tenho uns pais, no norte, que ficam radiantes com os netos durante as férias, que sempre que nos apoiaram com a sua presença e jantares a horas, quando o trabalho requeria mais de nós, em simultâneo. E tenho um companheiro que é mais mãe-galinha, mais disponível, mais atencioso, muito mais pai que eu mãe. E, apesar de nos ameaçar constantemente com um “olha que vou aspirar a casa!” ao qual eu e os meus bichos reagimos com um “ó não!”, tenho de admitir que foi, é, provavelmente continuará a ser o meu melhor amigo, mesmo quando não o é.

WakedWoman disse...

Com uma rede destas até arriscava atirar-me de um 54º andar das saudosas torres gémeas.

Não tive a sorte.

A ideia das reuniões em "grupo" é boa, mas do lado de lá temos que ter um interlocutor que compreenda a posição.

Na reunião de duas horas e meia de ontem com dois empresários de peso da nossa praça duvido que a conversa demorasse mais do que cinco minutos se a pequenita andasse por lá....

WakedWoman disse...

É verdade Mar, ter filhos doentes ou a precisar de serem "levantados" a hora dos infantários é visto como desculpa para não trabalhar...

Não vejo a solução assim á vista...

Sorry

:(

vaginawoolf disse...

A solução é não embrutecer, não enlouquecer, não desmorecer, não desamar, não, não, não, dizer não, nem que seja com a cabeça e encontrar outros interlocutores.
Sei lá eu qual é a solução, para ser sincera.
Mas ando à procura.
Tenho fé.
Também desespero, mas espero!!!

péssima disse...

WW...
Vê as coisas por este lado:
Em cinco minutos decide-se o rumo do mundo…
Ora, nós temos a mania de tornar tudo muito comprido, dá-nos um certo ar importante, queixamo-nos mas gostamos. Tenho a certeza que com uma criança de colo a esfregar a baba nas gravatas dos ditos importantes faria com que tudo fosse muito simples de decidir, e resolver : )
[experiência própria, em áreas diferentes, claro]
Só não podemos o que não estamos dispostas a querer (realmente), olha para a tua filha e vê bem se ela não consegue sempre o que quer?

péssima disse...

eheheeh
(eu a armar-me em confiante, faz o que digo não o que faço)

WakedWoman disse...

Obrigada pelos conselhos.

Confesso que às vezes sou um bocado bruta :(

Apetece-me andar pelas ruas aos tiros ... já que as pessoas não entendem de outra forma...

WakedWoman disse...

:)

vaginawoolf disse...

Tiros?
Alguém falou em tiros?
queridas mmás... precisamos de um farwest...
yupi!
Faca na liga!

vaginawoolf disse...

Obrigada WW!

WakedWoman disse...

Segurem-se meninas: revolucion has just begun!!

Iiiiiii,aaaaaaaa!!!!

WakedWoman disse...

Revolution, revolution, revolution

:)

péssima disse...

As verdadeiras aMMAzonas!
ahahahah

mmádona disse...

Ainda podemos fazer apré-campanha para a presidência...VW ao poder!

vaginawoolf disse...

MMDN:
Poder, poder, só o de usar as cordas vocais e gritaria da raposa, para pôr uma loja do cidadão a sambar com mais 50 pirralhos da sua espécie! Uma verdadeira aMMazona!!!
:) :) :) :)
Precisamos começar a traçar o manifesto mmás!!!

WakedWoman disse...

Manifesto mmás: talvez um dia esse grito chegue à Assembleia da República...

As outras também não queimaram os "soutiens"?...

vaginawoolf disse...

:) :) :) :)