As ‘mmás’ são um espaço e um tempo para experimentação não isolada. Uma forma de sair do armário da maternidade, com liberdade para que mães, mulheres anónimas, se exponham, se interiorizem, se lembrem, se banalizem, se encontrem, se distanciem, se analisem, se ilibem ou o que bem entenderem.
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
UI
Dói muito voltar ao trabalho.
Dói muito o primeiro dia de infantário.
olá MMA's
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Primeira Vez

Pronto. Já está. E é bem capaz de ter custado um bocadinho menos do que o parto.
A minha filha mais velha está agora na 1.ª classe, ou 1.º ano - como agora lhe chamam. Alívio, angústia.
Ainda uma nota sobre as férias de Verão, que dantes se chamavam férias grandes.
Entre vários destinos, estreámo-nos no campismo e decidimo-nos pelo naturista. Fiquei convencida de que se andássemos sempre todos nús, o mundo seria um lugar muito melhor.
A imagem, tirei-a daqui
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Vidas difíceis
– Não.
– Ó mãaaaaeee!!!!
Já cansando de ouvir o mesmo à tanto tempo o mais velho diz:
– Bolas! Está calado. Hás-de ir muito longe com essas atitudes…
– Ai vou vou! Não vou mãe???
– Não.
– Óooo ninguém gosta de mim nesta vida.
péssima e as piadas de caserna, à velha moda das Selecções R's D.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
minguante
O número 7 da Minguante está online.
A Minguante é uma das únicas revistas a nível mundial dedicada em exclusivo à micronarrativa e conta já com a participação de mais de uma centena de autores de diversas nacionalidades.
Quarenta e dois autores espelham-se neste número e aguardam a sua visita.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Flashback

Hoje, alguém me fez lembrá-la.
Hoje, no caminho para casa pensei, agarrada ao volante: livrei-me daquela merda!
Hoje, a pôr a minha filha a dormir voltaram a cair-me as lágrimas em bica. Só do flashback...
Na altura, fartei-me de pedir socorro e parecia que ninguém me ouvia!
Vaginawolf
Ilustração: Sky, de Yuko Shimizu
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Calem-me se não vou presa!
Ou ando?!?!
Naaaa, não creio.
Ando é com uma crise de tédio, daquelas tipo ténia que se cola à parede do intestino delgado (que é maior) e não sai nem por forças abismais, ventrais e outras que tais.
Bem, quero dizer, tédio, tédio não é. É mais a crise dos 40 que está aqui mesmo ao virar da próxima esquina a subir por aquelas escadas enferrujadas e a pensar que depois daqui nada é como foi, tirando o que tem de ser porque tem muita força.
Agora que estou a escrever penso (que de vez em quando também me faz bem, assim como quem limpa o pó debaixo do vídeo, debaixo mesmo debaixo, tipo levantar o aparelho e limpar até ao fundo mesmo onde não se vê quando se está sentada no sofá em frente), penso escrevia eu, que ando é irritada com isto tudo que se passa. Irritada até mesmo com os pais da criancinha que berra enquanto a minha criancinha se tenta fazer ouvir no meio do palco. Irritada com a largura da minha cintura que não é como a do Miguel, ó! não a minha aumenta e faz encolher o umbigo. Ou será ao contrário? O umbigo diminui fazendo a cintura largar? Vou pensar nisto depois, sim porque novo pensamento surgiu do nada, bem ok do nada nada não foi, a culpa é da música que me alegrou e me lembrou do concerto que fui ver e da noite que passei ao relento, sentada num banco de paragem de autocarro com chuva a salpicar por todas as frestas e sem ninguém num raio de 500 metros durante as 3 e as 5 da manhã e fez-me acreditar que isto é tudo uma ilusão. Sim, nós vivemos num país de expressão livre, honesto e educado:
‘– Você é um filho da senhora de companhia menos recomendada pela minha esposa.
– É, estamos num pais bafejado pela verborreia iluminada, meu senhor.
– Ó grande e excelentíssimo senhor com cara de quem de costas se vira e baixa a apanhar os restos do lixo para alimentar a família, por quem sois, passe, passe à minha frente e diga de sua justiça.
– Por amor de deus, nem por sombras me ocorreria ultrapassa-lo, não, não, até porque assim aproveito o tempo da sua passagem para apontar os dados e tirar uma imagem fotográfica de alta definição para juntar à gravação que fiz no meu telemóvel de última geração e pensar em uma ou duas acusações dirigidas à vossa pessoa que entregarei no tribunal de seguida.’
Sim, estamos num pré-qualquer-coisa-não-muito-simpática-que-está-para vir-e-nunca-mais-vem-nem-vai, assim como uma queca mal dada.
Não, isto não é birra. É demasiada coisa a dizer e não saber por onde começar, demasiada coisa a criticar sem conseguir arranjar os adjectivos e nomes adequados, muita escuta, muita videovigilância, muita falsa segurança, muito déspota, muita gente sem formação, sem educação.
Tirando isto estou com um orgulho desmedido, disparatado, babado e outros ‘ados’ dos meus ‘pilas’, e com saudades dos nossos encontros angelicais.
E agora vou sentar-me e esperar que me contactem para formalizar o processo jurídico por ter opinião, seja ela qual for.
PS: as escutas estão de volta, mesmo com os telemóveis desligados é possível gravar as conversas dos incautos. Por isso tenham medo. Tenham muito medo! (isto é de um filme qualquer que não me recordo, o ‘ter medo’ porque as escutas é ocorrência contemporânea, não como a arte que disso, inesperadamente, estou muito contente por a terem colocado à disposição de quem quiser ver, mesmo que seja um arranjinho de armazém, que se dane, pelo menos é um armazém ao serviço dos meus e outros olhos).
E a propósito do ‘que se dane’ reli umas folhas de uma novíssima edição do ‘pão com manteiga’ livro que comprarei depois de ler as ‘fantasia eróticas’ (estou para lá do meio da digestão) e surgiu-me a conjugação do verbo danar:
Eu estou-me nas tintas
Tu dás de frosques
Ele borra-se todo
Nós estamos cá mas é como se não estivéssemos
Vós não queríeis mais nada
Eles que se lixem.
para quando é o tal piquenique?
Ou jantar, ou saída, ou cafezada ou qualquer coisa?
(péssima)
sexta-feira, 29 de junho de 2007
"Calem-me a criancinha que não consigo mastigar"
Senti-me tocado e fiz uma revisão de vida. É que eu sou daqueles que levam os filhos aos restaurantes. Mais do que isso. Sou daquela classe que Miguel Sousa Tavares considerou a mais ameaçadora e aberrante: os que levam "até bebés de carrinho!". A minha filha de três anos já infectou estabelecimentos um pouco por todo o país, e o meu filho de 14 meses babou-se por cima de duas ou três toalhas respeitáveis. É certo que eles não pertencem à categoria CSI (Criancinhas Simplesmente Insuportáveis), já que assim de repente não me parece que tenham por hábito exibir a glote cada vez que comem fora - mas, também, quem é que acredita nas palavras de um pai? E depois, há todo aquele vasto campo de imponderáveis: antes de os termos, estamos certos de que vão ser CEE (Crianças Exemplarmente Educadas), mas depois saltam cá para fora, começam a crescer e percebemos com tristeza que vêm munidos de vontade própria, que nem sempre somos capazes de controlar.
O que fazer, então? Mantê-los fechados em casa? Acorrentá-los a uma perna do sofá? É uma hipótese, mas mesmo essa é só para quem pode. Na verdade, do alto da sua burguesia endinheirada, e sem certamente se aperceber disso, Miguel Sousa Tavares produziu o comentário mais snobe do ano. Porque, das duas uma, ou os seus pais estiveram 13 anos sem comer fora, num admirável sacrifício pelo bem-estar do próximo, ou então tinham alguém em casa ou na família para lhes tomar conta dos filhinhos quando saíam para a patuscada. E isso, caro Miguel, não é boa educação - é privilégio de classe. Muita gente leva consigo a prole para um restaurante porque, para além do desejo de estar em família, pura e simplesmente não tem ninguém que cuide dos filhos enquanto palita os dentes. Avós à mão e boas empregadas não calham a todos. A não ser que, em nome do supremo amor às boas maneiras, se faça como os paizinhos da pequena Madeleine: deixá-la em casa a dormir com os irmãos, que é para não incomodar o jantar.»
João Miguel Tavares
Jornalista
jmtavares@dn.pt
segunda-feira, 11 de junho de 2007
o meu dia não
Já aprendi isso ao fim de alguns anos. Quando começo a ficar neura ao domingo e a ser difícil levantar na segunda é sinal claríssimo de desmotivação, falta de pica, e isso é a morte. Mas vamos ter um pouquinho mais de paciência.
Só mais um bocadinho e tentar achar graça às guerras palacianas e pouco inteligentes, à falta de bom senso, à falta de graça dos colegas, ao escarro constante do chefe e sua preocupação com o tempo que faz no FDS, ao facto de todos nos acharmos constantemente mal pagos, a sermos poucos a fazer o trabalho de muitos, a trabalhar mal porque é a regra, a não lamber botas e a ter de aturar por isso....
Deixei uma tese de mestrado por acabar porque simplesmente me senti perdida a dada altura: já não fazia qualquer sentido o que estava a fazer. Agora (à excepão do odenado no fim do mês) estou na mesma.
Desculpem o desbafo.....
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Balanço e baloiço

Os meus dotes culinários estão cada dia piores.
Continuo a correr para cima e para baixo, apesar de a casa ter elevador.
Apercebo-me que a percepção imediata que temos das coisas, nomeadamente das que nos estão mais próximas, é muitas vezes turva.
Há meses que estou para ir ao ginecologista.
A minha organização é cada vez mais desorganizada.
Tenho muita vontade de comer meloa e beber sumos verdadeiros de ananás.
Este ano voltamos a apanhar o avião para a Alemanha, for a change, e se nos der para aí, ainda mudamos de poiso.
Tive consciência outro dia de que algumas desvantagens, como a de não ter emprego e ser apenas trabalhadora independente, são afinal bens de primeira de necessidade (é redundante, mas é isso, ser-se independente).
Gostava de ter um cão. Nunca gostei muito de cães.
Cheguei à conclusão de que 60 por cento da informação é manipulação e 20 por cento entretenimento.
Engordo e emagreço a velocidades estonteantes.
Preciso de uma pausa.
A minha tensão é baixa. A intenção nem por isso.
Temos de retomar as tertúlias... um 'piquenique' na Gulbenkian.
domingo, 3 de junho de 2007
O que passou passou
Passou a noite, o dia, a semana, o mês. Meio ano, aliás. E os ponteiros do relógio passaram o tempo todo correndo atrás do rabo, massajando a barriga redonda, empanturrada de segundos, aos biliões de milhares.Passou-me a vontade, muitas vezes. Passaram os prazos dos iogurtes que sempre se escondem nas costas do frasco gordo de mostarda. Passou de moda, de boca em boca, passou o inferno, o Algarve, a ponte, dos limites, se faz favor.
Uns passaram outros chumbaram, mas o meu companheiro safou-se e voltou a ter carta, finalmente, seis anos depois de conduzir sem papéis. Passou a dor de cabeça, a impressão no estômago, a tremura nos joelhos, a má circulação, o tempo de merda, o limite para entrega do IRS, o stresse, a promoção e eu caí doente na cama.
Tinha passado um mês a deitar-me diariamente - sem folgas - às 6h00 da madrugada, puxando pelo corpo que estava morto de sono e acabado.
Bem, vinha aqui dizer que voltei. Que estava à espera que passasse tudo isto e passou, e aqui estou. Parece mentira, se querem saber. Tenho aliás vontade de subir a uma romãzeira, aconchegar-me num galho forte, à sombra, e ficar a ver as migrações de pássaros, passarem (outro dia estive horas a ver o soalho, com menos interesse, admito, mas também vidrada).
Daqui a pouco virei falar do que agora parece que tem de passar, mas por enquanto ainda não é hora disso.