quinta-feira, 18 de outubro de 2007

claro!

Estava eu sentada no carro, à espera que o meu filho mais novo saísse da escola, a desfrutar de um momento de silêncio, quando ouço um som polifónico do momento que me incentivou a ficar atenta a uma conversa de um dos pais que lá estavam:

– estou lá? (hum! Problema de identidade ou dupla personalidade?!)
– …………….
– Ah sim, diga, diga.
– ……..
– Sim!
– …………………
– Exactamente
– ………..
– Poish, exactamente (deve sher de lá de chima, o gaijo!)
– ……………………….
– Cla…, exactamen…, poisistá claro (ora aqui está uma palavra a reter: poisistá)
– ………….
– Poish, mas está a ver não é? (não resisti a olhar pelos espelhos mas não vi nada)
– ……………….
– Poish
– …………
– Está a entender não está? (eu é que não entendi nada do que ele disse)
– ……………………
– Sim, sim, estou a perceber está a ver? (tornei a espreitar)
– ………………….
– Mas está a ver? (que insistente!!!, estarei eu cega?)
– …………
– poisistá claro!
– …
– S..si…sim, sim estou a ver exactamente (se ele vê e eu estou a menos de 2 metros porque é que eu não vejo… parece-me uma vista simplificada!)
– ……….
– está decidido, eu agora não posso falar, está a ver? (ahhh, deve ser um gestor, ficou decidido algo de muito importante, tão importante que esteve este tempo todo a falar em código, por isso eles estão a ver e eu não)
– ….
– Exactamente
– ………………..
– liga depois? Estou a ver…. (caramba, a conversa vai continuar e eu não vou assistir)
– ………
– Prontus, prontus… (prontus? Poisistá claro, prontus deve ser latim, exactamente, estou a ver...)

Felizmente tocou…. Estais a ver?

Péssima

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Escolas, crianças e bichos.


Vão perdoar a minha intrusão, porque eu, como alguns leitores sabem, sou um mero felino, percebo bastante de sonecas, miados e, de momento, preocupo-me, sobretudo, com a parca ração da minha dieta que já me está a dar água pelos bigodes.
Dizia eu que , apesar de macho e felino, sou conhecedor de coisas de crias, já que a minha dona passa a vida a desbobinar-me os seus mais recônditos pensamentos como seu fosse invisível.
Ouvi entender debater esse assunto das escolas públicas/privadas, superpovoadas ou familiares...e , nestas coisas, a minha dona que é mulher de opiniões muito definitivas , garante que o melhor mesmo é deixar os piolhos desenvencilharem-se, de preferência, na escola pública, pois, quaisquer que sejam as dificuldades, sairão delas à sua maneira que é aquela que os ajudará na vida futura, onde os pais nem sempre estarão disponíveis. Depois, ela acha que os pequenos desde cedo aprendem a manipular os progenitores por forma a terem as soluções mais conveneientes e, qualquer cedência precipitada é logo agarrada como regra e, podem ter a certeziha que daí em diante, só escolas queques, transportes especiais, faculdades privadas, nada menos do que isso, pois se sempre foi assim...!
Eu acho que ela sabe do que fala, pois diz sempre que tem acompanhado a educação de uns quantos milhares de rebentos e quase consegue prever ( sim, pois, eu sou preto e ela também é bruxa...)a peste egocêntrica ou a cria normal que de cada caso vai sair.
Diz também, que o discurso dos pequenos é reconhecível e o dos pais, idem, pois pais embasbacados e hesitantes em frente dos petizes dá frutos menos sãos e com excesso de poder .
Isto foi o que os meus ouvidinhos atentos e curiosos captam, mas connosco, gatos, não há cá meias tintas, como sabem.
Ahhh...tens fomeca e não queres as sobras de ração?? Então amanha-te e vê lá se aprendes que amanhã a fome é a duplicar.
Por isso se pode dizer que a minha dona que diz saber de gentes, não sabe de gatos e me educou mal, pois nunca precisei de me esforçar para conquistar o que precisava para amminha sobrevivência e , eis o resultado: 90grs de raçãozinha deslavada por dieta para um macho robusto como eu!!
ronrons carinhosos,
Romeu

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Do paraíso ao inferno


Os primeiros dias de infantário foram estupendos e entusiasmados. Depois nem tanto mas sem dramas. Uma grande constipação e qualquer coisa depois - o caos.

Hoje o pior dia - mordi a língua para também eu não chorar (muitas noites mal dormidas e uma gravidez ajudam)....

Regressão, pesadelos, gritos e choro, "não quero ir para a escola" - última frase antes de ir para a cama e primeira ao acordar - manhãs difíceis.

O que fazer? é mimo, é firmeza, é conversa, muita conversa.....preciso de uma receita mágica. Qual de vós tem a varinha de condão, queridas MMA's?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

"Já sou crescido"

Esta é a frase que ouço mais vezes nos dias que correm..."Já sou crescido". Insisto que não, que não é crescido que só está um bocadinho mais crescido mas as evidências começam a surgir...
Dei-he uma folha de papel e escrevi "MAMÃ" (porque agora gosta de desenhar letras) e disse-lhe : "Agora podes copiar e aprender as letras da palavra mamã"...Mas que graça tem isso? (deve ter pensado) Copiar? Resultado: desenhou 3 figurinhas e chamou-me. Disse-me :"Vês? esta és tu, este é o papá e este sou eu." Apressei-me a pegar na mão dele e a escrever o que me tinha dito para que não ficasse esquecido...mas quando chegou à figurinha mais pequena largou-me a mão e escreveu sózinho e orgulhoso um F . "Vês? Esta é a minha letra...".
Felizmente ainda pede colo e diz "Também sou um bocadinho bébé..."

mmadona babada

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

UI

Dói muito acabar as férias.
Dói muito voltar ao trabalho.
Dói muito o primeiro dia de infantário.

olá MMA's

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Primeira Vez




Pronto. Já está. E é bem capaz de ter custado um bocadinho menos do que o parto.
A minha filha mais velha está agora na 1.ª classe, ou 1.º ano - como agora lhe chamam. Alívio, angústia.

Ainda uma nota sobre as férias de Verão, que dantes se chamavam férias grandes.
Entre vários destinos, estreámo-nos no campismo e decidimo-nos pelo naturista. Fiquei convencida de que se andássemos sempre todos nús, o mundo seria um lugar muito melhor.

A imagem, tirei-a daqui

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Vidas difíceis

– Ó mãeeee vá lá, deixa-me lá!
– Não.
– Ó mãaaaaeee!!!!
Já cansando de ouvir o mesmo à tanto tempo o mais velho diz:
– Bolas! Está calado. Hás-de ir muito longe com essas atitudes…
– Ai vou vou! Não vou mãe???
– Não.
– Óooo ninguém gosta de mim nesta vida.


péssima e as piadas de caserna, à velha moda das Selecções R's D.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

minguante

O número 7 da Minguante está online.


A Minguante é uma das únicas revistas a nível mundial dedicada em exclusivo à micronarrativa e conta já com a participação de mais de uma centena de autores de diversas nacionalidades.
Quarenta e dois autores espelham-se neste número e aguardam a sua visita.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Flashback



Sim, eu tive uma fodida depressão pós-parto.
Hoje, alguém me fez lembrá-la.
Hoje, no caminho para casa pensei, agarrada ao volante: livrei-me daquela merda!
Hoje, a pôr a minha filha a dormir voltaram a cair-me as lágrimas em bica. Só do flashback...

Na altura, fartei-me de pedir socorro e parecia que ninguém me ouvia!

Vaginawolf

Ilustração: Sky, de Yuko Shimizu

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Calem-me se não vou presa!

Não, não ando a fazer birra.
Ou ando?!?!
Naaaa, não creio.
Ando é com uma crise de tédio, daquelas tipo ténia que se cola à parede do intestino delgado (que é maior) e não sai nem por forças abismais, ventrais e outras que tais.
Bem, quero dizer, tédio, tédio não é. É mais a crise dos 40 que está aqui mesmo ao virar da próxima esquina a subir por aquelas escadas enferrujadas e a pensar que depois daqui nada é como foi, tirando o que tem de ser porque tem muita força.
Agora que estou a escrever penso (que de vez em quando também me faz bem, assim como quem limpa o pó debaixo do vídeo, debaixo mesmo debaixo, tipo levantar o aparelho e limpar até ao fundo mesmo onde não se vê quando se está sentada no sofá em frente), penso escrevia eu, que ando é irritada com isto tudo que se passa. Irritada até mesmo com os pais da criancinha que berra enquanto a minha criancinha se tenta fazer ouvir no meio do palco. Irritada com a largura da minha cintura que não é como a do Miguel, ó! não a minha aumenta e faz encolher o umbigo. Ou será ao contrário? O umbigo diminui fazendo a cintura largar? Vou pensar nisto depois, sim porque novo pensamento surgiu do nada, bem ok do nada nada não foi, a culpa é da música que me alegrou e me lembrou do concerto que fui ver e da noite que passei ao relento, sentada num banco de paragem de autocarro com chuva a salpicar por todas as frestas e sem ninguém num raio de 500 metros durante as 3 e as 5 da manhã e fez-me acreditar que isto é tudo uma ilusão. Sim, nós vivemos num país de expressão livre, honesto e educado:
‘– Você é um filho da senhora de companhia menos recomendada pela minha esposa.
– É, estamos num pais bafejado pela verborreia iluminada, meu senhor.
– Ó grande e excelentíssimo senhor com cara de quem de costas se vira e baixa a apanhar os restos do lixo para alimentar a família, por quem sois, passe, passe à minha frente e diga de sua justiça.
– Por amor de deus, nem por sombras me ocorreria ultrapassa-lo, não, não, até porque assim aproveito o tempo da sua passagem para apontar os dados e tirar uma imagem fotográfica de alta definição para juntar à gravação que fiz no meu telemóvel de última geração e pensar em uma ou duas acusações dirigidas à vossa pessoa que entregarei no tribunal de seguida.’
Sim, estamos num pré-qualquer-coisa-não-muito-simpática-que-está-para vir-e-nunca-mais-vem-nem-vai, assim como uma queca mal dada.
Não, isto não é birra. É demasiada coisa a dizer e não saber por onde começar, demasiada coisa a criticar sem conseguir arranjar os adjectivos e nomes adequados, muita escuta, muita videovigilância, muita falsa segurança, muito déspota, muita gente sem formação, sem educação.
Tirando isto estou com um orgulho desmedido, disparatado, babado e outros ‘ados’ dos meus ‘pilas’, e com saudades dos nossos encontros angelicais.
E agora vou sentar-me e esperar que me contactem para formalizar o processo jurídico por ter opinião, seja ela qual for.
PS: as escutas estão de volta, mesmo com os telemóveis desligados é possível gravar as conversas dos incautos. Por isso tenham medo. Tenham muito medo! (isto é de um filme qualquer que não me recordo, o ‘ter medo’ porque as escutas é ocorrência contemporânea, não como a arte que disso, inesperadamente, estou muito contente por a terem colocado à disposição de quem quiser ver, mesmo que seja um arranjinho de armazém, que se dane, pelo menos é um armazém ao serviço dos meus e outros olhos).
E a propósito do ‘que se dane’ reli umas folhas de uma novíssima edição do ‘pão com manteiga’ livro que comprarei depois de ler as ‘fantasia eróticas’ (estou para lá do meio da digestão) e surgiu-me a conjugação do verbo danar:
Eu estou-me nas tintas
Tu dás de frosques
Ele borra-se todo
Nós estamos cá mas é como se não estivéssemos
Vós não queríeis mais nada
Eles que se lixem.

para quando é o tal piquenique?
Ou jantar, ou saída, ou cafezada ou qualquer coisa?

(péssima)