quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Talvez.

Aprendem-no antes mesmo do tão esperado papá ou mamã.
Fatídico, o 'não' pré-consciente das crianças, e uma vez dito, nunca mais cessará de nos moldar, sempre à vontades delas.
Partimos para o caminho da educação do sim:
– Come a sopa
– Não
– Sim.
– Come a salada
– Não
– Sim, insistimos até ao desespero.
Quando crescem um palmo apercebemo-nos do uso da magia da pré-negação:
– Não faças isso – tentamos.
– Faço.
– Não comas isso – dizemos felizes, no tom da segurança de quem sabe o resultado.
– Como.
Uma conquista aparente, pois rapidamente se ultrapassam e aprendem a chantagem:
– Mãe quero aquilo.
– Não.
– Se não compras então eu…
Ou em forma requintada:
– Mãe gosto tanto de ti…
– …
E eles usam os momentos da nossa ‘cegueira babosa’ para pedir seja o que for, quando nos tornamos conscientes é tarde demais.

E assim vamos crescendo com elas, em ensaios de apalpações diversas.
É neste processo que acabamos por nos esquecer dos nossos ‘não’.
Quando damos por isso já não os sabemos usar, e aplicamo-lo nas situações erradas, como se fossem meras concordâncias.
Quantas de nós ainda fazem birras de nãos? Ah, pensamos, já não temos idade para essas coisas, não nos fica bem agora que somos mulheres-mãe.
Digo ‘sim’ com mais facilidade do que digo ‘não’, e muitos dos meus ‘sim’ são pura preguiça. Sei que as minhas crianças, pelo menos, vão repetir este ciclo. E só depois poderão reconstruir os ‘não’ puros.

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

Viva Nós!!!VIVA!mix...

Bom Dia Amorzinho!!!
De pé flecte as pernas agarrado às grades da cama e eu vou direita a ele como se não o visse há um mês quando na verdade estivemos juntos há duas horas na comunhão de um biberão. Hoje o dia parece mais brilhante depois de um fim-se-semana de sonho ou mais qualquer coisa que eu nunca imaginara!!!! De repente tudo começou a fazer sentido outra vez, valentes mmas!!!!
O pai salta da cama directo para o duche enquanto eu preparo o bébé para a escolinha. Mudo fralda, lavo a cara e penteio-o com colónia Johnson. Que biti mi à biti??? Calças de veludo cotelê e polo de riscas azuis com um casaquinho de lã. Beijo-o e vamos tomar o pequeno almoço!
Sento-me à mesa a olhar o Castelo de Palmela e o bé olha-me fixamente - sopra ! - faltam lá as velas mas diz-me que sabe que a vida mudou....passou apenas um ano mas não me lembro da vida antes de ti...Entre uma dentada na carcaça e um gole no leite com café, faço os meus pensamentos.
"Cada vez que olho para ti, reconcilio-me com o amor mas esta coisa de vasculhar dentro de mim sempre à procura não sei de quê, tem-me martelado os neurónios e eu sei que tu sentes isso.
Começo a encontrar pontas soltas - resquícios de mim - o que me leva a pensar na importância disto que tenho vindo a construir com as mmas...cá dentro"
Papá chega aqui....toma conta do filhote...agora vou eu tomar banho - duche e vestimenta. Sabem tão bem estes cinco minutos de água quentinha pelos ombros. Quase tão bem como a música tocada e cantada ao meu filho pelo seu aniversário - o primeiro - por três Santos mariolas, lindos e generosos como eu nunca tinha conhecido!!!
Começo mais um dia...mas decidimos depois de análise aturada de ranhoca constante a sair pelo nariz do filhote e dos seus olhos lacrimejantes que hoje eu e ele ficaríamos em casa; por isso consegui este feito de iniciar a minha carreira de blogger .
A soneca da tarde que agora termina deu-me 20 minutos para perceber como isto funciona - prometo voltar assim que tiver tempo. Beijos - Tenho de ir....

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Calada, eu?!

Fico sem argumentos. Ouço queixas sequenciais das faltas de estares descontraídos, e tudo o que se foi confidenciando como libertação, ao longo de anos. A solução, refiro eu, está aqui, agora à mão de semear. Eu até compreendo a doença das crianças ou os tão afamados afazeres domésticos, mas recuso-me a compreender a ignorância e o medo que dela provém. Não, não posso aceitar um “como explico uma ‘reunião’ só de mulheres, e que hei-de eu dizer se tiver de falar para todas?”. Fiquei incrédula. Como se explica que o simples facto de se estar entre quatro paredes, com elementos do mesmo sexo e experiências diferentes, não é sinónimo de orgia libidinosa? Esta inoperância mórbida é o reflexo do ser-se mulher portuguesa. Assustador. Prazer em sentir-me 'controlada'? Não obrigada.
Ainda bem que existem as excepções.

domingo, 11 de dezembro de 2005

eeeh

¡de rastos... acordei agora!

Home stinkst

"Só eu sei porque não fico em casa..."

sábado, 10 de dezembro de 2005



ver post: Festa-party

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Um problema de ph


Falta de paciência. É isso. Estou sem paciência nenhuma. Céus. Começo logo de manhã, sem pachorra para acreditar que tenho de saltar da cama. Não me apetece comer nada do que há no frigorífico. Se o telefone toca, aborrece-me, se não toca, queixo-me. Visto-me, mas estou farta do frio e só queria andar a suar em bica pelas vielas desta aldeia capital. A raposa abre o olho e a primeira coisa que diz é: Desenho! Como se pode acordar e ter uma vontade grotesca de começar logo a rabiscar? A seguir, ainda eu de pijama, quer brincar às lojas, vender-me fast food (salsicha, gelado, hambúrguer, e tudo o que me dá vontade de ficar em jejum até ao meio-dia). Corro para a banheira, no segundo em que todos cá em casa estão por segundos distraídos (exclui-se o peixe, que anda acabrunhado, já lhe mudámos a água como nos disseram os tipos da store de amigos pouco falantes, mas não era um problema de ph). Saio das minhas próprias águas um bocadinho mais paciente, mas por pouco tempo, confesso. Estou sempre a pensar que deveria fazer isto e aquilo, que aquilo e o outro também devia ser feito, lá enfio a chávena do leite a custo na máquina que mudou as mentalidades cá em casa, mas prossigo respirando fundo, como se as autoridades estivessem a caminho do bairro para me levar à esquadra e interrogar-me até contar o que sei e não sei.
Não há pachorra.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Festa-party: dia 11 às 16h00

Este Domingo as mmás estão em festa!
-Comemora-se o quinto e último encontro de 2005 – o próximo calha dia de Natal, estamos fechadas em casa a rechear o peru.
-Cantamos os parabéns a F. pelo primeiro aniversário – um sortudo com uma muito mmá mãe, que traz bolo e serpentinas.
-Aproveitam-se as cervejas de um bar muito recomendável que duas uruguaias abriram há pouco tempo lá na Casa, e com muito bons sabores, para brindar à fortuna que nos espera irremediavelmente em 2006.
-A Péssima traz massa para os miúdos fazerem bolo rei (com brinde) para cada participante levar para a sua própria e próxima reunião de condóminos.
-E queremos convidar pais, tios, avós, amigos, amigos dos amigos, e quem quiser para passar umas horas de caos a (des)comprimir na airosa sala das mmás na Casa dos Dias d’ Água.
-DJ por confirmar.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Inconsciente cleptomaníaco

Deixei as miúdas a falar sobre piercing, festas Erasmus, enfeites eróticos para as pontas de lápis, psicopatologia geral, a viagem de volta para Itália, e a Sagres que iriam beber no cafezinho da Graça, dali a minutos – são duas italianas, estudantes de Psicologia, uma completamente emotiva na forma de estar no mundo, outra completamente racional. Eu agarrei na pasta, troquei o nome de ambas à despedida, enfiei a borracha no bolso do casaco (o meu inconsciente cleptomaníaco terá pensado, pelo formato semelhante, que era um isqueiro, como todos os outros que trago diariamente sem nome nem morada), e pus-me a caminho de casa, a pé, a pensar que tinha saudades de decidir fazer qualquer coisa assim de repente, como apanhar o barco para o Barreiro e ir comer tremoços numa tasca a cheirar a petróleo.
Foram 25 minutos de caminho a pé. Há pouco tempo não me atreveria a desperdiçar tanto tempo, aliás, provavelmente nem teria essa hipótese. Hoje caminhei um décimo da força que tinha nos músculos, e quando cheguei a casa vinha com um fresco no cérebro. As italianas ainda devem estar a beber Sagres.

Rascunho de lista

A árvore está decorada com espaços em aberto para algo que há-de chegar. As luzes cintilam com as vontades da programação múltipla. A contagem decrescente faz-se lembrar constantemente com quero istos e aquilos:
– mano como se escleve sponge..
– S…P…O…
– Não, não, já não quelo o sponge, quelo umas botas, mano, mano, como se escleve botas?
– B…O…T…
– Não, tamém não, como se escle…
– Raio do puto que não se decide… ó mãeeeee o piolho está a chatear-me!
– N’stou nada.
– Estás.
– Não.
– Sim.
– Tu é que começaste!
– Ó dãhh!!! Tu é que precisas que te digam como se escrevem as palavras…
– Puke sou mai novo inda não sei scevê
– Então telefona, pode ser que o Pai Natal te perceba.
– Ó mama qual é o telefone do Pai Natal??
– Amanhã eu dou-to, agora ele está a dormir…
– ehhh tá semple a dulmirrr...
– Tá nada, não vez que é da diferença horária, entretém o bicho-das-castanhas.

: )