A pita da vizinha é melhor que a minha
Correm rumores sobre estudos de alteração genética no físico feminino. A concretizar-se, esta descoberta permitirá que os tomates do foro psicológico ganhem volumetria concreta. Aguardamos mais desenvolvimentos.
As ‘mmás’ são um espaço e um tempo para experimentação não isolada. Uma forma de sair do armário da maternidade, com liberdade para que mães, mulheres anónimas, se exponham, se interiorizem, se lembrem, se banalizem, se encontrem, se distanciem, se analisem, se ilibem ou o que bem entenderem.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2005
domingo, 18 de dezembro de 2005
Consultório MMAs
Lavamos as culpas na casa dos dias da água
Secção: Mariazinhas estais à janela
Pergunta:
Eu vou beber umas bejecas, depois de ir ao futebol libertar a minha síndrome de tourette, enquanto o meu companheiro fica a passar a ferro e preparar o jantar. Quando chego tenho de o ouvir em verbalizações impróprias. Que fazer?
Pergunta:
Em tempos fui petiza, que sou eu agora?
Secção: A pita da vizinha é melhor que a minha
Dúvidas verdadeiramente existenciais:
Quando coço os tomates não deixo a ganga russa. Será apenas uma questão física?
Pergunta:
O meu companheiro tem um caso com o comando da TV, na nossa própria casa, no sofá onde me sento todos os dias… será indicativo de homossexualidade? Como podem as MMAs ajudar-me?
Secção: A rata roeu a rolha e não deixou vestígios (workshops)
Objectivo:
Updates para varinhas mágicas (de fadas do lar)
Pré-programação para sopa bem passada e sopa com gorgulhos. Ligação à internet para actualizações mensais.
Objectivo:
Como pintar as unhas sem gastar 25 euros.
Secção: Mariazinhas estais à janela
Pergunta:
Eu vou beber umas bejecas, depois de ir ao futebol libertar a minha síndrome de tourette, enquanto o meu companheiro fica a passar a ferro e preparar o jantar. Quando chego tenho de o ouvir em verbalizações impróprias. Que fazer?
Pergunta:
Em tempos fui petiza, que sou eu agora?
Secção: A pita da vizinha é melhor que a minha
Dúvidas verdadeiramente existenciais:
Quando coço os tomates não deixo a ganga russa. Será apenas uma questão física?
Pergunta:
O meu companheiro tem um caso com o comando da TV, na nossa própria casa, no sofá onde me sento todos os dias… será indicativo de homossexualidade? Como podem as MMAs ajudar-me?
Secção: A rata roeu a rolha e não deixou vestígios (workshops)
Objectivo:
Updates para varinhas mágicas (de fadas do lar)
Pré-programação para sopa bem passada e sopa com gorgulhos. Ligação à internet para actualizações mensais.
Objectivo:
Como pintar as unhas sem gastar 25 euros.
desAspiro
Eu digo o que é desespero:
Ter um marido que insiste vigorosamente na manipulação constante de electrodomésticos, tipo aspirador sempre que encontra um cisco destacado na brancura do chão.
dois pontos espaço parêntesis.
Ter um marido que insiste vigorosamente na manipulação constante de electrodomésticos, tipo aspirador sempre que encontra um cisco destacado na brancura do chão.
dois pontos espaço parêntesis.
‘Des(en)graçadinhas’
Pus-me aqui a pensar nas conversas que foram trocadas nas MMÁs e de facto nunca falámos mal dos maridos (mesmo que todas tenhamos vontade de o fazer às vezes, como é saudável, e obviamente recíproco, mas não só entre casados, também entre irmãos, amigos, vizinhos, colegas). Acho que uma vez falámos sobre a culpa, mas foi assim uma coisa meio a correr, e cheia de bocas e graçolas pelo meio. De angústia tivemos pouco ou nada (lembrem-me,... se me esqueci de alguma). E na verdade, apesar de não fazermos tapetes de Arraiolos quando nos encontramos, a ideia da geometria temporal de duas horas, da leveza de uma sala sem móveis, da distracção que pode passar apenas pelo facto do não-facto, partilhado, enfim, já me perdi um pouco. Estava eu a falar, a querer dizer que nas MMÁs, sem qualquer combinação ou pacto, e eu juro que não faltei dia nenhum, nunca ouvi um lamento, daqueles que se atiram assim gratuitamente para cima do outro (neste caso a outra), nenhum toma lá a minha angústia que eu já não posso com ela. Pelo contrário. E ainda bem. Porque é essa a ideia. Quando fomos contactadas pela Ana Cristina Gomes, a primeira reacção foi dizer que o projecto ainda nem sequer se tinha estreado e que estávamos a tentar perceber como se construiria. Acerca da dificuldade de se ser mãe, acerca da dificuldade de se ser mãe e mulher, acerca da dificuldade de se ser mãe e mulher e profissional, acerca da dificuldade de se ser mãe, mulher, profissional, amiga, cidadã, vizinha, eleitora e mais que a casa gaste, sim, o assunto era reportável do ponto de vista jornalístico e pertinente, mas que as MMÁs teriam eventualmente sentido para uma pequena caixa, no global do artigo, explicando o objectivos e pouco mais. Perante alguma insistência e confiança nas boas intenções da jornalista, que não estão em causa, acabámos por dizer que sim, telefone, falamos, venha, apareça, mas veja lá como trata o tema, não se esqueça que é a nossa intimidade que está em cima da mesa, a nossa vida muito muito pessoal. Hoje, vejo o título e fiquei logo sem vontade de comprar o jornal, juro. E eu agradeço o desespero que me oferece o texto, mas devolvo, porque não é meu. Donas de Casa Desesperadas, tenha ou não alguma coisa a ver com séries televisivas, não é mesmo o meu filme. Afinal as questões que estiveram na origem de uma vontade de ir ao Domingo jogar à macaca com mais umas mulheres que levam os filhos atracados ou não, e conversar ao som de gritaria infantil e um Funk-Blues-Jazz-Kizomba-Bossa-ou-venha-o-diabo-e-escolha, o que acontece é que esses motivos, esses mesmíssimos motivos que devem ser transversais e variar muito, e pouco, entre os lares doces lares, o que acontece dizia eu, onde é que eu ia? O que acontece (estou a tentar ganhar tempo...sempre o mesmo desespero :-) é que a peça da GR estraçalha o bicho em cima da banca, tira-lhe as vísceras e o efeito dos motivos, a coisa propriamente que todos esperavam ler, o projecto... a opção pela leveza, o investimento na partilha, a descontracção no colectivo, o bom humor, a esperança... onde estão?
Bom, nunca mais me calo. Próxima sessão: terapia de grupo (hard core). Tema: como não desesperar quando o desespero que nos desespere ou não, se torna público? Tragam drinks!
Bom, nunca mais me calo. Próxima sessão: terapia de grupo (hard core). Tema: como não desesperar quando o desespero que nos desespere ou não, se torna público? Tragam drinks!
sábado, 17 de dezembro de 2005
....
Li o artigo na Grande Reportagm e deseperada fiquei depois de perceber o sentido que deram à coisa. Com foto a condizer e tudo. Felizmente o desespero que senti quando o meu filho nasceu passou porque conseguimos equilibrar a nossa família agora com mais um elemento. Tem sido um percurso complicado com avanços e recuos mas o amor que existe entre mim e o pai do meu bébé nunca esteve em xeque e magoou-me muito, e muito mais ao meu companheirão, perceber que isso não se entende ao longo da reportagem. Eu acho que é importante que se diga que felizmente estamos todas sãs, mentalmente falando, ou não teríamos acordado "dar a cara" e isso deve-se muito ao apoio que temos tido da família, amigos e da nossa entreajuda, pelo menos falo por mim. Talvez tenha sido ingenuidade minha não precisar este ponto ou talvez tenha sido teimosia puxar o sentido das MMas para as "Donas de Casa Deseperadas" que eu acho absolutamente descontextualizado. Sinto-me obrigada a pedir desculpas porque tenho um marido doce e sensível que não merece de maneira nehuma ser retratado publicamente de uma forma tão redutora - se queriam levar o sentido da reportagem para aí muito mais havia a dizer e certamente o que diria é que este filho nasceu de um grande amor e está a ser criado com muito amor. Arrependo-me de ter aceite as fotos porque agora percebo o poder das palavras e das interpretações que delas se fazem.
Do nade casades esperada!
Dona, só do meu nariz! E mesmo assim ele prega-me partidas viscosas.
De Casa desarrumada, sempre. E quando arrumada não é por minha iniciativa.
Desesperada nunca! Uso o sistema de ditadura matriarcal.
De Casa desarrumada, sempre. E quando arrumada não é por minha iniciativa.
Desesperada nunca! Uso o sistema de ditadura matriarcal.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2005
"Ser o Quinto"
É o título de um livro que a minha filha ganhou de presente há um ano. Trouxe-o um amigo alemão que veio passar em nossa casa o delirirum tremens de uma relação que acabou em fiasco, e ele em fanico. Esteve cá uma semana a destilar. Levávamos os dois a raposa à creche e pelo caminho ele falava alto, recapitulava, reinterpretava as nódoas negras, as saudades, o desejo, tudo isto numa cadeia de explosões realistas, como tremoços.
Funfter sein é o retrato de três coisas: a extraordinária inteligência e sensibilidade deste amigo, a importância de haver histórias sem grande acção, mas sobre um mundo com espírito, que não seja apenas a natureza morta que 70 por cento dos livros infantis nos impingem aos meninos e, finalmente, a relação incestuosa entre a espera e o medo. Voltando à segunda - mais pacífica - aos dicionários e enciclopédias que publicam para leitores a partir dos 3 meses (antes são meio ceguetas), voltando ao ovo, à tartaruga, ao comboio, à batedeira, ao sapato, à minhoca, ao computador, à saia, ao anel, ao que é isto, e isto, e aquilo... também os tenho cá em casa, também os comprei, mas estou farta de os ver.
Funfter Sein – em português, Ser o Quinto – é uma coisa simples (mas cada vez que o leio, encontro um sentido diferente). A história de um compasso de espera. Cinco bichos-brinquedos, daqueles a que se dá corda com uma chavinha metálica, esperam numa sala. A porta abre-se e entra um no consultório. A porta fecha-se e os restantes esperam. A porta abre-se, o primeiro sai e lá vai outro. A porta fecha-se e restam três. Assim, repetidamente, até ao último, que finalmente vê a cara do médico, um clínico de brinquedos, com ar simpático.
Acho que uma das palavras que mais digo à minha filha é “espera”. Curiosamente, um dos verbos que mais me custa conjugar actualmente. “Espera miúda”, que já está quase. “Espera, tens que aprender a esperar um bocadinho”.
Fuck it, quem espera desespera. Over.
Funfter sein é o retrato de três coisas: a extraordinária inteligência e sensibilidade deste amigo, a importância de haver histórias sem grande acção, mas sobre um mundo com espírito, que não seja apenas a natureza morta que 70 por cento dos livros infantis nos impingem aos meninos e, finalmente, a relação incestuosa entre a espera e o medo. Voltando à segunda - mais pacífica - aos dicionários e enciclopédias que publicam para leitores a partir dos 3 meses (antes são meio ceguetas), voltando ao ovo, à tartaruga, ao comboio, à batedeira, ao sapato, à minhoca, ao computador, à saia, ao anel, ao que é isto, e isto, e aquilo... também os tenho cá em casa, também os comprei, mas estou farta de os ver.
Funfter Sein – em português, Ser o Quinto – é uma coisa simples (mas cada vez que o leio, encontro um sentido diferente). A história de um compasso de espera. Cinco bichos-brinquedos, daqueles a que se dá corda com uma chavinha metálica, esperam numa sala. A porta abre-se e entra um no consultório. A porta fecha-se e os restantes esperam. A porta abre-se, o primeiro sai e lá vai outro. A porta fecha-se e restam três. Assim, repetidamente, até ao último, que finalmente vê a cara do médico, um clínico de brinquedos, com ar simpático.
Acho que uma das palavras que mais digo à minha filha é “espera”. Curiosamente, um dos verbos que mais me custa conjugar actualmente. “Espera miúda”, que já está quase. “Espera, tens que aprender a esperar um bocadinho”.
Fuck it, quem espera desespera. Over.
MÉÉÉÉ.......
Devo confessar-vos que ando numa fase menos mmá...deve ser isto do espírito de Natal que combina muitíssimo bem com filhotes e bébés....Hoje foi a festa de Natal do Meu e ainda estou a segurar o queixo e a apanhar a baba com a mão....o bébé foi um mémé na festinha!!!! e estava LINDOOOOOO de morrer com guizinhos e tudo....
Ontem foi ele que me deu jantar - 1/4 de carcaça e 2 bolachas Maria - fiquei muito bem :)
Ando um bocadinho deslumbrada com isto tudo - parece que de repente tenho mais um amigo - o meu filho!!! Havemos de combinar mais festinhas com filhotes para os mais velhinhos ensinarem os mais pequeninos - DJ Raposinha a bombar!!!! Péssima: tabm recebi postalinhos feitos pelo bébé - fantásticos.
Amanhã vou e venho ao Algarve por isso vou aproveitar estas horas para dormir até ao biberão da meia-noite.
Durmam bem.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2005
Regalos
Ah, nada como a época natalícia.
Os miúdos chegam a casa felizes com as prendas lúdico-educativas.
Ora vejam:
Em simultâneo com um cartão de Feliz Natal 2005, manufacturado pelas próprias crianças (bem engraçado, com uma estrela feita em barro) o meu filho mais novo empunhava satisfeito um jogo que o Pai Natal, daqui do concelho, lhe tinha oferecido.
É bom ver o primeiro brilho natalício naqueles olhos que me derretem. Mas fiquei ainda mais derretida com o cuidado, com a preocupação genuína de quem decidiu a prenda propriamente dita:
Jogo “Ludo”, tabuleiro com 10X10 cm, dado com 4mm de aresta, peças (tipo damas) com 2,5 mm de diâmetro e explicação do jogo nas línguas espanhola, alemã, francesa e holandesa.
Então não é bonito?
Eu acho. E concordo com estes dirigentes do meu concelho, há normas que devem ser ultrapassadas e reinterpretadas. Assim, acredito que a intenção de proporcionar uma aprendizagem de manuseio minucioso esteve presente na escolha deste jogo com peças tão pequenas. E quanto à ausência das regras do jogo na língua portuguesa, tem uma explicação subtil, mas ambiciosa: desenvolvimento do pensamento de globalização e preparação para integração em ambientes europeus de mentes brilhantes.
Ainda falam mal dos nossos governantes!
Força Oeiras, tu marcas o ritmo.
Os miúdos chegam a casa felizes com as prendas lúdico-educativas.
Ora vejam:
Em simultâneo com um cartão de Feliz Natal 2005, manufacturado pelas próprias crianças (bem engraçado, com uma estrela feita em barro) o meu filho mais novo empunhava satisfeito um jogo que o Pai Natal, daqui do concelho, lhe tinha oferecido.
É bom ver o primeiro brilho natalício naqueles olhos que me derretem. Mas fiquei ainda mais derretida com o cuidado, com a preocupação genuína de quem decidiu a prenda propriamente dita:
Jogo “Ludo”, tabuleiro com 10X10 cm, dado com 4mm de aresta, peças (tipo damas) com 2,5 mm de diâmetro e explicação do jogo nas línguas espanhola, alemã, francesa e holandesa.
Então não é bonito?
Eu acho. E concordo com estes dirigentes do meu concelho, há normas que devem ser ultrapassadas e reinterpretadas. Assim, acredito que a intenção de proporcionar uma aprendizagem de manuseio minucioso esteve presente na escolha deste jogo com peças tão pequenas. E quanto à ausência das regras do jogo na língua portuguesa, tem uma explicação subtil, mas ambiciosa: desenvolvimento do pensamento de globalização e preparação para integração em ambientes europeus de mentes brilhantes.
Ainda falam mal dos nossos governantes!
Força Oeiras, tu marcas o ritmo.
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