domingo, 8 de janeiro de 2006

Maus tratos

Já há algum tempo que me apetecia partilhar a repulsa dos maus tratos infantis (entre muitos outros).
Não compreendo, não aceito. Recuso-me.
Lembrei-me que aqui há uns anos, em conversa com familiares durante um almoço/festa discutia-se um caso qualquer de pedofilia local. Dei por mim a vocalizar um: “se eu algum dia estivesse na situação de me encontrar perante um agressor dos meus filhos, não tenho dúvidas que o mataria com as minhas próprias mãos”.
O silêncio foi substituído por um brinde qualquer de uma mesa próxima. Apesar de terem passado mais de oito anos mantenho a mesma ideia.
Com a notícia da menina de um mês e meio em estado de coma os sentimentos afloraram. Lembrei-me, também, de uma conversa de jantar com uma juíza “como se pode ter filhos e julgar de forma branda personagens dessas?” a resposta era clara “não podemos julgar sentimentos, apenas os actos em si”. Desconcertante o sentimento de impotência. Mais porque essa mesma pessoa se viu numa situação de ‘rapto’ do filho com seis ou sete meses. Uma situação que pode acontecer ao lado sem que nos apercebamos: simplesmente a empregada doméstica alugava o bebé a uma cigana, que o exibia na Praça de Espanha, em Lisboa, acompanhada de uma lenga-lenga tipo ‘temos fome’, voltando a entregar a criança à empregada, a tempo do banho, antes do regresso dos pais. É demasiado, eu nunca poderia julgar apenas os actos, não tenho essa capacidade, ainda bem.
Foi a procurar imagens para ilustrar este post que dei de caras com um site que apresenta estudos, americanos (pelo menos eles fazem estudos quer aceitemos as conclusões ou não), também desconcertantes:

Na cidade de Aberdeen, na sequência de uma bizarria jurídica, o aborto foi legalizado 12 anos antes de ocorrer a legalização em todo o Reino Unido. Portanto, a cidade de Aberdeen deveria ter a menor taxa de crianças não desejadas e consequentemente a taxa mais baixa de maus tratos. Curiosamente, Aberdeen tinha, no Reino Unido, a mais alta taxa de crianças abandonadas, maltratadas e negligenciadas._(Annual Report, Chief Medical Health Officer, Aberdeen, Scotland, 1972)

No Japão existe aborto a pedido há mais de 35 anos. Seria de supor que todas as crianças fossem desejadas e bem tratadas. Contudo, "o numero de infanticídios tem aumentado tanto que as assistentes sociais tiveram que fazer um apelo às mães japonesas, na televisão e nos jornais, para que não matassem os seus filhos."_(The Sunday Times, June 23, 1974)

Fiquei estupefacta. Mais ainda porque defendo a legalização do aborto. Continuo sem perceber, sem aceitar. Sinto-me impotente, neste meu canto.
–
Foto: Paul Harris
http://aborto.no.sapo.pt/abortoemaustratos.htm

sábado, 7 de janeiro de 2006

partilhas

Sim, sou mesmo, daquelas mães caracol, daquelas que deixam rastos e rastos de baba.
Esta pequena BD do meu filho já tem um ano. Tenho resmas de papel com desenhos dele feitos a caneta. Uma das histórias tem 100 A4. Um dia vou publicar estes desenhos, prometo-me. Hoje apeteceu-me partilhar três desses trabalhos. Um a caneta e dois em Photoshop. O último é a interpretação do "o grito" de Munch. :)





“O Fim da Supermulher”

“A geração anterior tinha como mote ‘quero ter tudo, filhos e carreira’. Ao verem o resultado, as mais novas dizem ‘afinal, não quero ter tudo, pelo menos ao mesmo tempo’, constata o ‘The Observer’. É que para cada mulher despachada, das que conseguem equilibrar admiravelmente as suas obrigações familiares e profissionais, há muito stresse permanente e com a impressão de deixar tudo a meio.”

Vale a pena tentar correr ainda ao quiosque e comprar o primeiro Courier Internacional de 2007, de onde a citação foi tirada.
Mulheres: Da Libertação Sexual à Cultura do Sexo é o título de capa que está sobre uma ilustração muito bonita de Piotr Socha.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Gosto deste novo hábito quando chego ao escritório - logo depois de ligar a máquina e antes de beber o café, entrar no blog das MMA's!
Juro que me dá verdadeiro prazer ler aquilo que as MMA's escrevem e não raras vezes os colegas perguntam "estás a rir de quê?" e eu não respondo porque isto ainda é só meu, como o espaço só meu que descobri já não ter há tanto tempo, o meu quarto, o meu canto de leitura.....

gosto, sinceramente, gosto..
obrigada

Dia de reis, rainhas e MMAs

Que teria acontecido se em vez de três reis magos, fossem três rainhas magas?
– Teriam pedido ajuda para chegar
– Teriam chegado a tempo
– Teriam ajudado no parto
– Teriam feito uma limpeza no estábulo
– Teriam levado presentes úteis
– Teriam levado algo para comer

Mas o que é que diriam ao sair?
– Viram as sandálias que a Maria usava com aquela túnica?
– O menino não se parece nada com o José…
– Como é que ela deixa todos aqueles animais dentro de casa?
– O burro deles está tão acabado!!!
– Soube que o José está desempregado
– Sempre quero ver quando é que ela vai devolver a panela onde levei o macarrão…
– Virgem?! Ora, lembro-me muito bem dela no tempo de universidade.

Exercício:
Que teria acontecido se em vez de três rainhas magas fossem três MMAs?
O que é que elas diriam ao sair dali?
O que aconteceria se as MMAs levassem os reis e as rainhas? Haveria espaço para os duques? Haveria ‘cenas’ tristes? E a palha, seria usada a palha?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

A poupa


do latim upupa
Hoje, nos preparativos matinais, o meu bicho pica-miolos mais novo apresentou-se-me com o cabelo molhado e uma poupa à tin-tin, mas flácida.
Na incapacidade de conseguir fixar o carrapicho devidamente espetado pediu-me ajuda na operação. Estive mais de cinco minutos com escovas, pentes e águas e ele o mesmo tempo esteve a reclamar de uma mãe que não tem gel em casa para estas aflições. Ao fim, depois de muito ensopada, a poupa lá ficou orgulhosamente erguida. Missão de mãe cumprida. Pouco tempo depois caminhávamos de mãos dadas a caminho da escola, dei por mim a olhar para ele, parecia crescido, já não é o meu bebé, fiquei contente. A poupa fez toda a diferença.

Sabe-me bem e pronto.

Este foi o primeiro ano a que assisti a um concerto de Ano Novo ao vivo (pratico a tradição de os ver pela televisão). Orquestrado pelo fantástico Cassuto que interpretou a „Dança das Horas” de La Gioconda de Ponchielli de forma surpreendente. Surpreendente foi também a soprano Elisabete Matos e claro a afinada Orquestra Metropolitana de Lisboa. O ambiente era quente, a iluminação impecável, o som natural chegava a todos sem a mínima dificuldade.
Estou com uma sensação de calma que me é estranha, mas gosto.
Sim, creio que este ano vai ser diferente dos outros, pelo menos hoje, agora, neste instante, assim o sinto.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

"Nem putas nem submissas"

Ora aqui está um exemplo de mulheres bem acordadas!!!

CarMiMcaturas

1º Passo:
Leio a frase “Quando vemos uma fotografia, sabemos exactamente de que tempo se trata, está ali, naquela imagem que parece real. Conseguimos perceber perfeitamente que o passado - não existindo mais - não está assim tão indisponível quanto isso” – escrevi-a em 98 a um qualquer despropósito.
2º Passo:
Atravesso o corredor e ponho os olhos numa imagem de mim própria que deve ter um bocadinho menos idade do que a frase.
3º Passo:
Contorno a esquina da casa de banho, evitando o espelho.
4º Passo:
Sento-me aqui, a tentar cruzar as duas coisas.
5º Passo:
O conflito é evidente, cruzo apenas as pernas, e sintetizo o despropósito deste post em duas perguntas, para que não me julguem uma mmá ociosa, sem nada que fazer – juro que não é o caso!!!

De quem é a foto daquela gaja?
Quem é gaja daquela foto?


PS: Hoje foi dia de quarantine, virose em casa. Acho que fiquei exausta com os 789 “mamãs”, 674 “colos” e pronto! Isto baralha um gajo!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

R-Evolução


Use your mind, your hands, your heart!!!!
...e risca cabeças de fósforos!