
Uma sessão especial de Tarot para o dia da MMãe.
Às 16 no lugar do costume.
As ‘mmás’ são um espaço e um tempo para experimentação não isolada. Uma forma de sair do armário da maternidade, com liberdade para que mães, mulheres anónimas, se exponham, se interiorizem, se lembrem, se banalizem, se encontrem, se distanciem, se analisem, se ilibem ou o que bem entenderem.


É fantasioso pensar que se pode trabalhar a tempo inteiro, passar imenso tempo de qualidade com os filhos, ir a todos os programas, festas d’anos e saraus, cozinhar jantares saudáveis, ajudá-los com os trabalhos de casa. E, faças o que fizeres, pode parecer que ainda assim não é suficiente.
Não, não é ir jantar fora, beber umas traças e cair da cama. Quero é drama. Enfadada destes dias sem fada. Uma gaja de asas que apareça cá em casa e me atire borda fora, sem bóia. Me bata com um pau na cabeça, e me leve assim de esguelha, por uma unha negra, e de telha, de telha.
Sile te plé! Me plé!!
Quero um carro só para mim. Uma malinha de mão, cartão, e guita dez-cem mil. Um braço na janela e cigarros brancos sem fim!
Pilas e lagartos. Cobras e jasmim. Tudo fora de moda, que bosta, nesta vila mal-suposta. Que enjoo. Ponho o carro tiro o carro na garagem da vizinha. Blahrg!!! Que pimba. Que dia. Bafio. Eu bafio!
Um mês anónima sile te plé. Muá me plé, comé.
Nem revoluções nem trovões. Nem tremoços, almoços. Nem fruta nem frutinha, pijama, pijaminha. Só quero um carro mal passado!
Foto: Þorkell Þorkelsson