quarta-feira, 31 de maio de 2006

FÉRIAS


Adeus Mães MMàs! até à volta....

Dj Lucky

terça-feira, 30 de maio de 2006

Quadro Negro nas Escolas

É verdade o que diz a Ministra da Educação. Mal pus um pé no liceu onde a minha mãe dava aulas, fui logo enfiada na turma dos melhores alunos - a turma A. Isto foi realmente dramático: tive que me esforçar muito para fazer amigos nas salas do lado, dado que à minha volta só havia tótós sem qualquer capacidade de refexão.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Dúvidas existenciais

Apetece-me beber até ficar de rastos. Serei alcoólica?
Não me apetece pensar. Serei alucinada?
Gosto de sexo. Serei puta?
Gosto de chapinhar as poças de água. Serei infantil?
Aquele gajo é bom, apetece-me. Serei infiel?
O trabalho agonia-me. Estarei grávida dum folheto?
Aquela gaja tem um corpo fantástico. Serei lésbica?
Não me apetece fazer nada. Serei sornas?
Gosto do preto. Serei macabra?
Não tenho pachorra para aturar as birras dos filhos. Serei má mãe?
Apetece-me escrever parvoíces. Serei louca?
Quero rir até me saltarem sapos dos olhos. Estarei demente?
Apetece-me andar na maior montanha russa do mundo. Serei radical?
Detesto ir às compras. Serei normal?
Quero saltar de pára-quedas. A minha coluna resistirá?
Apetece-me tocar em todas as campainhas de um prédio de 20 andares com seis focos residenciais por piso à hora do jantar. Serei insultada?
Apetece-me chorar. Estarei deprimida?
Gosto de ver o fogo. Serei incendiária?
Gosto de comer sardinhas com as mãos. Serei porca?
Fumo, pelo menos, um maço de tabaco por dia. Serei rica?
Gosto de nadar. Serei peixa?
Gosto do vermelho. Serei comunista?

E como não tenho respostas vou vingar-me ali em baixo na feira da freguesia. Vou comer sardinha com garfo e faca, entremeada com as mãos, beber sangria até arrotar, andar de carrinhos de choque e a seguir no twister até vomitar os que ficam cá em baixo a olhar de boca aberta. Pronto. Sinto-me bem melhor, assim, desabafada.

Auto-retrato MMÁS 1


Proponho uma sequência AUTO-RETRATOS MMÁS.

Eu sou pirata, passo o tempo a piratear coisas que não se vêem.

Não fui eu!

Sim, sim. Todas as criancinhas tentam sempre a desculpa do costume. Se forem queixinhas e houver irmão à mão, acusam logo o irmão. Se não forem queixinhas e tiverem irmão, deixam a dúvida a pairar no ar. Se forem filhos únicos é porque foi o gato e se não houver gato há sempre uma qualquer explicação sobrenatural.

E depois há aquelas pessoas que crescem e continuam a culpar o mordomo. Esta manhã, mal cheguei ao emprego, houve uma destas patéticas situações com... a minha chefe! Como é que é possível que alguém que ascende à chefia tente descartar um erro com o clássico infantil não fui, foi ela?

Pais e mães deste mundo, uni-vos! Sejam implacáveis com o não fui eu. A menos que queiram continuar a ouvir eternamente o blábláblábláblá do não fui eu, foi o anterior Governo ou não fui eu, foi o meu colego que está de férias volte daqui a um mês ou ainda não fui eu que lhe dei essa informação e o sítio certo para tratar do assunto fica na delegação da R. de S. Nunca à Tarde que por acaso vai fechar daqui a 3 segundos.

domingo, 28 de maio de 2006

Leituras de Infância

O Segredo

As mesas sempre tiveram quatro pernas e davam-se muito bem com o sistema.
Mas os tempos são outros. Tudo quer ser melhor, tudo quer ser diferente.
Certa mesa pôs a quarta perna fora e ficou só com três.
As velhas mesas riram-se mas não disseram nada.
Vai outra mesa e disse com os seus botões:
- Quem pode viver sem uma, pode viver sem duas. E até, bem vistas as coisas, uma perna pode ser bastante.
As velhas agora foram aos arames:
-Parece impossível, tantos modernismos!
-Isto é uma mesa do Coliseu!
- Já não há respeito, já não há nada!
Pois sim. O pior estava para acontecer. Foi a irmã mais nova que um dia , sem mais nem menos, ao voltar da escola, apareceu sem nenhuma perna. A questão é que se mantinha em pé e fazia o serviço como as outras.
Olha lá - perguntei-lhe eu - Como é que estás de pé sem teres pés?
Ela piscou-me o olho:
- É segredo. As velhotas estão danadas...
- Diz lá...
- Juras que não contas a ninguém?
- Juro.
E disse-me.
Claro que vocês também gostavam de saber. Mas paciência. Segredo é segredo.

(uma das) Histórias com Juízo de Mário Castrim

Mulheres e Maridos
Mulheres, sejam submissas aos vossos maridos. Desse modo, mesmo se alguns deles não crêem na mensagem de Deus, hão-de ser conquistados para a fé pelo vosso procedimento. Nem é preciso vocês falarem, pois eles darão conta da vossa conduta modesta e respeitosa. Não procurem a beleza exterior pelo arranjo do cabelo, jóias de ouro e belos vestidos, mas que a vossa beleza esteja no interior do coração, belezaque não passa e que consiste no espírito de modéstia e mansidão. Essa é a beleza que tem o maior valor diante de Deus. Era assim que outrora as santas mulheres que esperavam em Deus procuravam ser belas: eram submissas aos seus maridos. Assim foi Sara, que obedecia a Abraão e lhe chamava seu senhor. Se fizerem o bem e não tiverem receio de nada, serão autênticas filhas de Sara.
Maridos, saibam igualmente viver com as vossas esposas, tratando-as com amabilidade, tendo em conta a sua natureza feminina. Respeitem-nas, pois têm parte com vocês no privilégio da vida eterna. Procedam assim para nada perturbar as vossas orações.
(excerto da) Primeira Carta de Pedro, O Novo Testamento.

Memórias de Infância


Cresci entre o vermelho e o encarnado


Valeu-me a pantera cor-de-rosa quando ao Granja lhe faltavam os desenhos animados soviéticos


Drama! Horror! Como sobreviver num país sem chapéus?


Leva chapéu e ainda se ri, a grande porca fascista!


Oh Vicente olha mais uma geração rasca!


E as extraordinárias histórias infantis que agora releio com espanto?


No comments...No comments...No comments

Cresci entre o vermelho e o encarnado. Entre o PREC e a era yuppie. Entre as manifestações barulhentas na avenida e as paredes sem ruído da escola de freiras. Entre a nuvem de fumo revolucionário da casa materna e o bife do lombo com pimenta moída na altura da casa paterna. Bardamerda, claro, é uma das minhas palavras preferidas.

Raispartam a era do politicamente correcto e que bem me soube este regresso ao passado.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

A senhora do Congo

Vive cá no bairro há três anos, tem cabeleira ananás, despenteada, lábios grossos, corpo de escavadora, e não gosta do país. Sei, apesar de nunca o ter dito assim: Não, não gosto do país.

Vejo-a daqui, sentada na minha mesa de confessionário. Tem o tronco despido. Amamenta agora mesmo o segundo filho que o supermercado do bairro quase viu nascer justo ao lado da caixa dos euros. Ninguém me contou, descansem que não é boato. Fui buscar umas cenouras para alaranjar a sopa, e lá estava ela! Sentada, pálida, ofegante, volumosa, com a barriga a parir-se para todos os lados e a filha de dois anos a tentar sacar um chocolate à prateleira forrada com bordadinhos a oiro.
A dona do shopping já tinha chamado a ambulância, só que a carrinha de vidros foscos fingia-se surda, parada no trânsito, de agenda ocupada. E a senhora do Congo lá ficou. Os lábios, que já eram grossos, tornaram-se num pastel carvão. Coisa nunca vista. A criança nasceu. Já cavalga no seu dorso para cima e para baixo, a caminho de uma África que só existe na imaginação, faça sol em bica ou bica de chuva.
Intrigam-me ainda os seus lábios negros. Aquele fogo animal de uma mulher sozinha a milhares de voos de voltar para casa. Aquele caminhar cambaleante, a teimosia de não querer ir para o hospital ter um filho, a luta que foi enfiá-la na carrinha, o marido que só chegou muito mais tarde, e uma vida coerciva, entre um filho e o outro, um apartamento de vidraças partidas e o supermercado que faz as vezes da roça.
Acho que os lábios da senhora do Congo são um fenómeno sobrenatural. A Lisboa também tem boca sem ir a Roma, e é negra sem plantar café.

Família Funcional